O Sesc anunciou os vencedores da edição 2026 do Prêmio Sesc de Literatura. Conquistaram o primeiro lugar Mariana do Nascimento Ramos, de Brasília (DF), na categoria Romance, com “A Vontade das Coisas Mortas”; Anacã Agra, de João Pessoa (PB), em Conto, com “A Replicação do Sangue”; e Guilherme de Miranda Ramos, de Maceió (AL), em Poesia, com “Geografia do Desconforto”. O Rio Grande do Sul também esteve representado entre os finalistas das três categorias, com Juliano Heinen em 2º lugar em Romance, Leandro da Silva Adriano em 7º lugar em Conto, e Lorenzo Krüger da Câmara Ribas em 7º em Poesia.
O Prêmio Sesc de Literatura está em sua 23ª edição, consolidado como uma das principais iniciativas brasileiras de incentivo a novos talentos da literatura nacional. A premiação, este ano, registrou recorde histórico de inscrições, com 2.969 obras concorrentes. Os trabalhos foram avaliados por especialistas convidados para cada categoria: Maria Esther Maciel e Itamar Vieira Junior em Romance; Miriam Alves e Dau Bastos em Conto; e Cida Pedrosa e Edimilson de Almeida Pereira em Poesia. Cada autor vencedor do primeiro lugar receberá R$30 mil e terá o livro publicado pela Editora Senac Rio. Além disso, eles passam a integrar a programação literária do Sesc pelo país, incluindo eventos literários no Rio Grande do Sul a partir de 2027.

“Esses encontros entre os autores e os leitores são sempre uma oportunidade de aproximar a escrita do público gaúcho e de levar a literatura a diferentes cidades. É uma forma de fazer com que os livros e as histórias que eles contam cheguem a ainda mais pessoas”, explica a gerente de Cultura do Sesc/RS, Luciana Stello. A iniciativa já ocorre há anos. Os vencedores do Prêmio de 2025, inclusive, têm participação confirmada em eventos literários da entidade nos próximos meses, incluindo o espaço do Sistema Fecomércio-RS na Feira do Livro de Porto Alegre e a Festa Literária Internacional de Taquara (Flitaq).
Arte Sesc – É um dos pilares prioritários para o Sesc/RS e tem como propósitos a valorização da arte e a disseminação da cultura para a sociedade de forma democrática e acessível, com ações que proporcionem a formação de plateias dos mais diferentes públicos. Dessa forma, promove atividades culturais de teatro, música, artes plásticas, circo, literatura e cinema, com uma intensa troca de experiências para ampliar o acesso à produção artística.
Prêmio Sesc de Literatura 2026 – Os vencedores
Romance
A vencedora na categoria Romance é Mariana do Nascimento Ramos, de Brasília, de 45 anos, autora de “A vontade das coisas mortas”. Escritora, professora e servidora pública, Mariana é formada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também concluiu mestrado em Ciência da Literatura. Atuou como professora de Literatura Brasileira na Argentina, na Costa Rica e na China.
Em “A vontade das coisas mortas”, conta a história de Bruna, professora de literatura de uma pequena cidade do interior que tenta reconstruir a própria vida depois de sobreviver a um massacre escolar. Entre sessões de terapia, o retorno ao trabalho, relações familiares e lembranças do passado, a personagem enfrenta o luto, a culpa e o trauma. A narrativa alterna presente e passado e aborda temas como memória, morte, solidão e as marcas deixadas por tragédias em pessoas e lugares. “Esse foi o primeiro romance que eu escrevi. O livro foi inspirado no caso de Suzano, em São Paulo, e tentei trazer intimidade de um lugar difícil, que é a violência. Procurei falar com lirismo e ternura, tratando a violência de forma silenciosa e que se entranha nas relações e nas coisas. Estou ansiosa para ver qual vai ser a percepção do público sobre a história”, conta.
Conto
Na categoria Conto, o vencedor é Anacã Agra, de João Pessoa (PB), de 48 anos, com “A replicação do sangue”. Formado em Letras, com mestrado e doutorado em Literatura, Anacã é professor na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), onde ministra, desde 2017, um curso de criação literária. A literatura e a escrita estão presentes na vida dele desde a infância, com influência do pai, que também foi professor de literatura, letras e escritor. “Segundo meu pai conta, escrevi meu primeiro conto aos 13 anos e não parei mais”. Escritor de romances, contos, poemas e roteiros cinematográficos, Anacã publicou de forma independente os romances “A Face Interna da Carne”, “O Circo da Galileia”, “Amadis de Riorraso” e “Éramos Eternos”.
“A replicação do sangue” reúne contos marcados por tragédias humanas, violência, culpa, desejo e ironias do destino. As histórias colocam personagens comuns diante de situações extremas e exploram dramas familiares, paixões frustradas, vinganças, acidentes, crimes e encontros marcados pelo acaso. “Uma semana antes de receber a notícia do prêmio eu pensei em desistir de publicar. Faz mais de 30 anos que eu produzo e ainda não havia conseguido um ‘sim’. Agora eu não desisto mais”. Anacã diz que os contos que compõem o livro foram escritos ao longo do tempo, inicialmente sem a intenção de formar uma obra única. Posteriormente, o autor identificou aproximações temáticas entre os textos e os reuniu. “Parte das histórias têm origem em experiências próprias ou de pessoas próximas, enquanto outras nasceram de notícias, filmes e outras referências”, ele explica.
Poesia
O vencedor na categoria Poesia é o alagoano Guilherme de Miranda Ramos, de Maceió, de 54 anos, com “Geografia do desconforto”. Escritor, compositor e produtor cultural, Guilherme é autor de livros infantis e de crônicas e possui textos premiados em editais e concursos. Na música, é idealizador do Intermídia Estúdio de Criação e do projeto Quarentemas, além de compor trilhas sonoras para literatura, audiovisual e artes cênicas e produzir singles e álbuns autorais. Guilherme diz que o primeiro contato que teve com a arte foi ainda criança, quando leu um poema em uma revista que sua mãe levou para casa. “Essa poesia me encantou, eu ficava reescrevendo como se o texto fosse meu”. Depois disso, se envolveu com arte na escola e passou a ler tudo, até bula de remédio, ele brinca.
Em “Geografia do desconforto”, os poemas percorrem três territórios simbólicos: o sangue, o asfalto e o espelho. A primeira parte aborda memórias familiares, heranças afetivas, silêncios entre gerações, perdas e a busca por identidade. Na segunda, o olhar se volta para trabalhadores invisibilizados nas cidades, discutindo desigualdade, precarização, resistência e dignidade. Já a terceira parte mergulha em questões existenciais relacionadas ao corpo, ao tempo, à solidão, à saúde mental e ao sentimento de não pertencimento. Com linguagem simples e imagens marcantes, o livro constrói uma cartografia da memória e da condição humana. “Para esse livro eu saí da minha zona de conforto e experimentei formatos que antes eu não tinha coragem. Estou ansioso para encontrar outros escritores, trocar experiências com essas pessoas e ser fonte de inspiração para que eles não desistam dos seus sonhos, como eu não desisti do meu”.





