Mestra pela Unisc analisa a escrita de meninas na era digital

Dentro da programação da VII Mostra de Extensão, Ciência e Tecnologia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), ocorre no dia 29 de outubro, às 19h15, no Anfiteatro do bloco 18, a apresentação de nove trabalhos desenvolvidos por estudantes dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu da Universidade. A atividade integra a VII Mostra da Pós-Graduação Stricto Sensu, que tem como objetivo divulgar os cursos de mestrado e doutorado da Instituição, por meio da apresentação de um trabalho indicado por cada Programa.
Um dos estudos escolhidos tem como título “Escrever para existir: cartografia da escrita de si e modos de subjetivação de meninas na era digital”, da mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Taiza Machado Bartmann, com orientação da professora Betina Hillesheim e coorientação da professora Larisa Bandeira.

Publicitária e apaixonada pela escrita, a pesquisadora encontrou na própria trajetória a inspiração para o trabalho. Inicialmente, pretendia investigar o hábito de escrever diários entre pessoas de sua geração, mas o contato com discussões sobre a redução de produções culturais voltadas especificamente ao público adolescente despertou um novo interesse. “Tive um feeling de que precisava falar sobre isso, ainda mais em um momento de excesso de estímulos digitais”, relata.
A pesquisa mostra que, embora as ferramentas tenham mudado, a necessidade de escrever sobre si permanece entre as meninas. Se antes os sentimentos eram registrados principalmente em diários, cartas e agendas, hoje também encontram espaço em mensagens, stories, notas do Instagram e outras plataformas digitais.
Segundo Taiza, a escrita permite que as adolescentes expressem questões que muitas vezes não conseguem verbalizar. “A página em branco é um espaço transitório, em que é possível experimentar possibilidades para as palavras e se constituir como sujeito. É um lugar íntimo em que a menina tira um tempo para olhar para si mesma e pensar sobre a própria vida”, explica.
Entretanto, a exposição nas redes sociais também impõe desafios. A preocupação com curtidas, comentários e julgamentos pode interferir na liberdade de expressão e na construção da identidade. “Antes de escrever, a menina já antecipa como será lida, o que será bem recebido e o que pode gerar julgamento”, destaca.
A pesquisadora observa que, diante dessa realidade, algumas adolescentes ainda recorrem ao papel para preservar pensamentos e sentimentos que preferem não compartilhar publicamente. “Elas notam, talvez intuitivamente, que existe algo que o papel comporta, mas as redes sociais não.”
A pesquisa
Para desenvolver o estudo, Taiza utilizou a metodologia cartográfica e acompanhou, durante dois meses, a rotina de meninas de 12 e 13 anos em uma escola. A experiência permitiu observar diferentes formas de utilização das tecnologias e de expressão pessoal.
Entre as situações que chamaram sua atenção estão o uso do celular para compartilhar informações entre colegas, o aprendizado de inglês por meio de letras de músicas e até a interação diária de uma adolescente com ferramentas de inteligência artificial.
As observações também levaram a pesquisadora a questionar percepções tradicionais sobre a adolescência. “O que percebi é que as meninas de hoje desafiam muito as ideias que normalmente temos sobre infância e adolescência, porque percebi meninas mais inteligentes, mais engajadas e mais criativas do que o que se espera delas.”
Para Taiza, os resultados reforçam a importância de ampliar os espaços de escuta e expressão destinados a esse público, reconhecendo suas experiências para além dos riscos frequentemente associados à adolescência. “Elas são muito mais que isso, e é preciso oferecer espaços de expressão e escuta genuína para que elas possam se fortalecer em suas singularidades”, conclui.
Inscrições abertas para turmas de 2027
Os Programas de Pós-Graduação Mestrado e Doutorado da Unisc estão com inscrições abertas, incluindo o mestrado em Psicologia. Os interessados podem realizar a inscrição até o dia 13 de novembro, em unisc.br/mestradoedoutorado.




