
A preocupação com possíveis práticas de intolerância política e retaliações no ambiente empresarial e profissional de Santa Cruz do Sul levou o vereador Alberto Heck (PT) a tomar providências junto a duas instituições do município. Durante a sessão legislativa desta terça-feira, 3, o parlamentar solicitou esclarecimentos à Associação de Entidades Empresariais de Santa Cruz do Sul (ASSEMP) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre relatos de listas de estabelecimentos comerciais que estariam sendo alvo de campanhas de boicote, além de possíveis ameaças, constrangimentos e demissões de trabalhadores em razão de suas opções políticas e eleitorais.
Conforme os relatos que chegaram ao vereador, empresas e comerciantes estariam sendo apontados para boicote por supostamente não terem apoiado o candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. Em outra frente, trabalhadores estariam enfrentando represálias ou até mesmo perdendo seus empregos por terem manifestado apoio ao candidato vencedor do pleito.

Diante da gravidade das informações, Heck encaminhou à ASSEMP um Pedido de Informações com cinco questionamentos. Entre os pontos apresentados, busca saber se a entidade tem conhecimento de listas de boicote ou outras ações de retaliação contra empresas, empresários e colaboradores, qual seu posicionamento diante dessas práticas e quais medidas podem ser adotadas para proteger empreendedores e trabalhadores de constrangimentos motivados por escolhas políticas.
O vereador também questiona se a Associação recebeu manifestações de seus associados sobre situações dessa natureza e se existem ações em andamento ou previstas para enfrentar possíveis ameaças às liberdades democráticas e ao livre exercício das atividades empresariais e profissionais.
Ao justificar a solicitação, Heck destaca a importância do posicionamento da ASSEMP, considerando seu papel de congregar entidades ligadas ao empreendedorismo e ao desenvolvimento econômico, social e cultural de Santa Cruz do Sul. O parlamentar ressalta a necessidade de esclarecer as denúncias recebidas e dar atenção à apreensão de empresários, profissionais e colaboradores que relatam temer prejuízos econômicos e pessoais em razão de suas convicções políticas.
Pedido ao Ministério Público do Trabalho
Na mesma linha, Alberto Heck encaminhou um Pedido de Informações ao Ministério Público do Trabalho, direcionado à apuração de possíveis violações dos direitos dos trabalhadores. O documento apresenta seis questionamentos, buscando informações sobre eventuais denúncias de demissões, ameaças, constrangimentos e outras formas de retaliação relacionadas às opções políticas, partidárias ou eleitorais dos trabalhadores.
Entre os esclarecimentos solicitados estão o entendimento do MPT sobre esse tipo de conduta, as medidas disponíveis para prevenir e apurar possíveis práticas de discriminação política no ambiente de trabalho e a existência de denúncias recebidas após o processo eleitoral de outubro. O vereador também solicita informações sobre eventuais providências adotadas pelo órgão e os canais oficiais disponíveis para que trabalhadores e entidades possam registrar denúncias.
Na justificativa do pedido, Heck ressalta que a liberdade de consciência e de convicção política, assim como o livre exercício da cidadania, são direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal e devem ser respeitados também nas relações de trabalho. Segundo o parlamentar, preferências políticas ou eleitorais não podem servir de justificativa para intimidações, discriminações ou represálias profissionais.
Defesa da liberdade e do respeito às escolhas individuais
Com os dois encaminhamentos, o vereador busca obter informações oficiais, esclarecer os relatos que chegaram ao seu gabinete e contribuir para que eventuais irregularidades sejam devidamente apuradas pelas instituições competentes.
A iniciativa reforça a preocupação com a preservação das liberdades democráticas, a dignidade dos trabalhadores e o respeito às escolhas políticas individuais. Para Alberto Heck, é fundamental que empresários, comerciantes e trabalhadores possam exercer suas atividades e manifestar suas convicções sem sofrer ameaças, constrangimentos ou prejuízos em razão de suas opções eleitorais.





