Hapvida registra aumento na busca por diagnóstico de endometriose e contraria tendência nacional de internações
Enquanto a região Sul concentra número expressivo de hospitalização pela doença, operadora observa avanço na conscientização e identificação precoce dos casos

Uma doença que atinge milhões de brasileiras e ainda enfrenta atraso significativo no diagnóstico é a endometriose. Estima-se que entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva convivam com a condição, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Trata-se de uma doença crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao que reveste o útero em outras regiões do corpo, provocando inflamação e dor.
Dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) indicam que a região Sul concentra aproximadamente um quarto (de 20% a 25%) das internações por endometriose no país, evidenciando a necessidade de ampliar a conscientização sobre a doença.
Na contramão desse cenário, na Hapvida observa um movimento diferente entre suas beneficiárias: aumento na realização de exames e na busca por diagnóstico, sem crescimento proporcional de internações. O cenário reflete um avanço importante na conscientização sobre a doença, favorecendo o diagnóstico precoce e reduzindo a necessidade de intervenções mais complexas.
“A endometriose não é apenas uma ‘cólica forte’. É uma condição que pode evoluir com dor crônica, impactar a fertilidade e limitar atividades diárias”, afirma o ginecologista da Hapvida, Marcos Wengrover.
O diagnóstico é predominantemente clínico e baseado no relato de sintomas. Entre os principais sinais de alerta estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual, desconforto ao evacuar ou urinar, sangramento irregular e fadiga, especialmente quando esses sintomas se intensificam de forma progressiva. A investigação pode ser complementada por exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética pélvica.
A confirmação definitiva por videolaparoscopia nem sempre é necessária para o início do tratamento, especialmente quando há forte suspeita clínica. “A demora para chegar ao diagnóstico pode variar de cinco a doze anos, muitas vezes porque a dor progressiva ainda é vista como algo ‘normal’”, ressalta o especialista.
A relação entre endometriose e infertilidade também é relevante. Segundo a OMS, até 50% das mulheres com dificuldade para engravidar podem ter a doença como fator contribuinte, o que reforça a importância da avaliação ginecológica quando os sintomas persistem. O tratamento pode incluir terapia hormonal, analgésicos e cirurgias minimamente invasivas, além de uma abordagem multidisciplinar que considere a saúde física e emocional das pacientes.






