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Fecomércio-RS apresenta resultados da primeira rodada da Sondagem de Minimercados 2026

Além de temas de gestão e conjuntura, pesquisa identifica as ponderações do setor diante de Reforma Tributária aprovada

Realizada entre os dias 27 de março e 13 de abril de 2026, a sondagem de minimercados traçou um panorama do segmento, identificando características estruturais e de gestão, além da conjuntura atual e perspectivas a partir da percepção dos empresários do setor. Ao todo, foram realizadas 385 entrevistas com estabelecimentos optantes pelo Simples Nacional, em todo o Rio Grande do Sul. Já no início da pesquisa, fica evidente o quadro de funcionários reduzido, com 59,0% dos estabelecimentos tendo até 3 pessoas trabalhando, e uma característica muito comum dos minimercados, a força de trabalho familiar: em 55,3% dos casos, pelo menos a metade da mão de obra dos minimercados é da família.

Para entender melhor como o segmento opera, a pesquisa levanta uma série de perguntas sobre gestão. Chama atenção o fato de que apesar dos principais motivos das perdas financeiras serem o desperdício com perecíveis (28,1%) e produtos vencidos (26,5%), uma parcela relevante dos minimercados parecem estar às escuras no que diz respeito ao controle preciso do giro de estoque e vendas: 28,3% dos entrevistados não dispõem de controle informatizado de vendas e estoques e 9,6% têm apenas para vendas. Também relacionado ao planejamento e estratégia quanto a mercadorias, quase um terço (31,4%) relata acompanhar com frequência bastante baixa o desempenho dos produtos mais vendidos (semestralmente/anualmente/eventualmente/nunca). Outro gargalo relevante diz respeito a gestão financeira: 9,4% não têm controle financeiro do negócio e 29,6% o fazem manualmente em caderno. Além disso, mais de um terço (33,8%) mistura as finanças do negócio às próprias. 

“Com equipes pequenas, as dificuldades de gestão nos minimercados ficam evidentes. No contexto atual, em que se concorre em diferentes frentes pela atenção e pelo orçamento do consumidor, sobretudo quando competir pelo preço é difícil, o negócio precisa apresentar claramente diferenciais. Se a gestão falha, o negócio entra no curto-circuito de resolver problemas imediatos e não sobra espaço para elaboração de uma estratégia de criação de diferenciais.” comentou o presidente da Fecomércio-RS/SESC/Senac/IFEP, Luiz Carlos Bohn diante da identificação que fidelização de clientes (31,4%) ser o desafio interno mais citado pelo segmento e o fato de preços serrem percebidos como aspecto de maior relevância da concorrência (41,8%), seguido de promoções e descontos agressivos (29,4%).

Quanto ao desempenho das vendas nos últimos 6 meses, quase metade dos empresários (47,8%) avaliam como regulares, 30,4% como boas, 7,0% muito boas ou excelentes; 14,8% classificaram como ruins. Para 52,2%, as vendas não atingiram as expectativas nos últimos 6 meses. Em relação a como o segmento projeta o futuro, enquanto 33,2% acreditam na manutenção do nível de vendas, 43,9% esperam que melhore e 22,9% esperam uma piora. O balanço maior da expectativa positiva sobre a negativa para as vendas não se mantém no que os minimercados esperam da economia brasileira para o mesmo período: 22,9% esperam melhora ante 50,6% que preveem um cenário pior; 26,5% projetam estabilidade. A sondagem também mostra que uma parcela dos minimercados ainda tem presente as consequências das cheias de 2024 no RS: dos 37,9% que sofreram algum impacto, apenas 21,2% se recuperaram totalmente. Os impactos ainda enfrentados mais citados são a redução do faturamento (53,0%) e a perda de clientes (53,0%). 

Por fim, a temática tributária também tem destaque na pesquisa. Tanto pela carga tributária ser o principal desafio econômico dos minimercados (53,5%), quanto pela identificação de como o segmento tem lidado com as decisões sobre seu regime tributário diante das possibilidades no âmbito da Reforma aprovada. A maior parte dos minimercados (65,7%) ainda não tem uma decisão sobre a continuidade ou não no Simples e a opção pelo regime híbrido caso se mantenham no Simples (44,9% ainda estão avaliando, 17,4% não começaram a avaliar e 3,4% desconhecem as possibilidades); 11,4% vão se manter no Simples sem recolhimento por fora, ou seja, não fará nenhuma alteração, e 4,9% vão passar para o Regime Geral.

Fonte
Fecomércio-RS

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