
A Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul realizou nesta segunda-feira, dia 8, uma sessão solene para a entrega do título de Cidadã Honorária à renomada fotógrafa e jornalista Dulce Jungblut Helfer. A homenagem, proposta pelo vereador Alberto Heck (PT), foi aprovada por unanimidade pela Casa Legislativa, reconhecendo a trajetória de mais de cinco décadas da artista que projetou o nome do município nos cenários nacional e internacional.
A sessão solene foi conduzida pelo vereador Luizinho Ruas (PSB) e a mesa contou com a presença de Bruno Cesar Faller, secretário Municipal de Fazendo de Santa Cruz do Sul, representando prefeito Sérgio Ivan Moraes; da homenageada Dulce Helfer e do seu filho André Luis Helfer; da produtora cultural Angélica Fonseca e da presidente da Associação Pró-Cultura/Casa das Artes Regina Simonis.
O vereador Alberto Heck, proponente da honraria, destacou em seu discurso a importância do legado de Dulce Helfer. “É com grande satisfação e justificado orgulho que celebramos a vida e a obra de uma de nossas filhas mais ilustres”, afirmou o parlamentar.
Dulce Helfer iniciou sua carreira precocemente, recebendo seu primeiro prêmio fotográfico aos 16 anos. Em Santa Cruz do Sul, ela construiu uma base profissional sólida, atuando no fotojornalismo de veículos como a Gazeta do Sul e o Riovale Jornal, além de manter seu próprio estúdio.
Sua mudança para Porto Alegre marcou o início de uma fase de consagração. Além de integrar a equipe da Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, dedicando-se a fotografar o patrimônio histórico gaúcho, ela participou da fundação do jornal cultural O Continente.
A fotógrafa consolidou sua carreira no fotojornalismo ao longo de 27 anos no jornal Zero Hora, tornando-se uma referência profissional. Seu trabalho abriu portas para relações culturais profundas, resultando em amizades e colaborações com gigantes da literatura como Mario Quintana e Luis Fernando Veríssimo, além de ter capturado a essência de outros nomes como Rubem Braga e Caio Fernando Abreu.
A partir de 2011, Dulce Helfer dedicou-se integralmente à arte autoral, com uma contribuição multidisciplinar e impressionante em números: seu trabalho está presente em mais de 60 livros, sendo cinco de sua autoria, incluindo títulos como Poesia Líquida – Águas do Rio Grande do Sul e Pretos na Tela; Seu olhar capturou estrelas da música e do cinema, como B. B. King, Queen, Roberto Carlos, Fernanda Montenegro e, internacionalmente, o cineasta norte-americano David Lynch em 2009. Realizou mais de 100 exposições coletivas e 60 individuais, levando o nome de Santa Cruz do Sul a galerias em Paris, São Paulo, Brasília, e espaços emblemáticos como o MARGS e a Casa de Cultura Mario Quintana.
A excelência de Dulce Helfer é atestada por mais de 30 prêmios, incluindo cinco internacionais. Entre os mais notáveis, destacam-se três premiações de primeiro lugar da Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), o Prêmio Nacional de Direitos Humanos e dois Prêmios Press como Melhor Fotógrafa do RS.
“Um reconhecimento recente de sua relevância global foi a vitória do ensaio “Espera”, feito com sua mãe durante a pandemia, no tema “Transversalidades” do Centro de Estudos Ibéricos (CEI) de Portugal, em 2021, em uma disputa com quase mil portfólios de 89 países”, observou o vereador Alberto Heck.
Mesmo com um legado consagrado, Dulce Helfer segue ativa com projetos de grande relevância, como a exposição “Lya Luft: Pensar é transgredir” e o projeto itinerante “Quintana, Poesia em Movimento”, que em 2025 percorre diversas cidades gaúchas. “A concessão do título de Cidadã Honorária é a materialização do nosso orgulho e inscreve, de maneira definitiva, o nome de Dulce Helfer na história cultural de Santa Cruz do Sul”, concluiu o vereador Alberto Heck.






