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Preço do café subiu 81% ao consumidor em um ano

Expectativa é que alívio chegue aos supermercados apenas no segundo semestre, de forma lenta e gradual

O café, tradicional item do café da manhã dos brasileiros, segue pesando no bolso do consumidor. De acordo com dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira (26), o produto acumula alta de 81,6% nos últimos 12 meses, sendo o segundo item que mais pressionou a inflação de junho, atrás apenas da energia elétrica. Porém, enquanto os preços seguem elevados nos supermercados, no campo o cenário começa a mudar: as cotações já registram queda desde março, com o avanço da colheita.

Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), o preço médio mensal do café arábica caiu 17% em junho, em comparação com fevereiro, quando atingiu o recorde histórico de R$ 2.769,45 por saca. A expectativa de analistas é que esse recuo comece a ser sentido pelo consumidor a partir do segundo semestre, mas de forma lenta e gradual.

“Existe um tempo entre o processo de colher o café, secar, beneficiar, torrar, embalar e distribuir até chegar aos mercados”, explica o analista Fernando Maximiliano, da consultoria StoneX Brasil. Por isso, embora o ritmo de alta da inflação do café já esteja desacelerando mês a mês, o repasse ao consumidor final tende a levar de 60 a 90 dias para se tornar mais evidente.

A colheita do café no Brasil começou em março e se estende até setembro. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra total de 2025 deve crescer 2,7% em relação ao ano passado, somando 55,7 milhões de sacas de 60 quilos. No entanto, essa leve alta esconde movimentos distintos entre os dois principais tipos de café produzidos no país.

A produção de café robusta, mais utilizado na indústria e cultivado principalmente no Espírito Santo e na Bahia, deve ter aumento de 28%, alcançando 18,7 milhões de sacas, favorecida por lavouras irrigadas e clima estável. Já o café arábica, preferido pelos brasileiros e que responde pela maior parte da produção nacional, deve ter redução de 6,6%, com estimativa de 37 milhões de sacas, impactado por secas em importantes regiões produtoras.

Alta recorde no início do ano

O preço do café disparou no início de 2025, puxado por uma combinação de estoques baixos e alta demanda internacional. Em 2024, o Brasil exportou mais de 50 milhões de sacas, número considerado elevado para um ano com produção limitada. A alta foi impulsionada por problemas na safra do Vietnã e da Indonésia, grandes produtores asiáticos, e agravada por conflitos no Oriente Médio que dificultaram o transporte marítimo pelo Mar Vermelho, tradicional rota do café asiático rumo à Europa.

Além disso, empresas europeias anteciparam importações no fim de 2024 diante da entrada em vigor de uma lei ambiental que restringe a compra de produtos de áreas desmatadas. Essa antecipação também ajudou a reduzir os estoques brasileiros, contribuindo para o pico de preços no início deste ano.

Alívio só em 2026

Apesar da reversão nas cotações no campo, especialistas alertam que o consumidor ainda deve conviver com preços altos até 2026. “Só no próximo ano, com uma safra maior e mais regular, é que os preços no supermercado devem cair de forma mais significativa”, afirma Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio.

Enquanto isso, o brasileiro deve continuar pagando caro por uma das bebidas mais populares do país — mesmo que o mercado já comece a dar sinais de que o pior pode ter ficado para trás.

Fonte
com informações do g1

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