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Lideranças destacam o tabaco como pilar de resiliência econômica no RS

A edição especial do Tá na Hora, realizada nesta quinta-feira (26), durante a Expoagro Afubra, reuniu as principais lideranças do setor fumageiro para debater a integração entre campo, comércio e indústria. O evento, promovido pela Associação Comercial e Industrial (ACI) Santa Cruz do Sul, evidenciou a capacidade da cultura do tabaco em sustentar a estabilidade regional mesmo diante de crises climáticas.

Durante o painel, mediado pela vice-presidente regional da Federasul, Nicéia Wünsch, os debatedores apresentaram números que reforçam o protagonismo do setor. Marcílio Laurindo Drescher, presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) abriu o evento destacando que a diversidade de temas na feira reflete a complexidade do setor.

Rentabilidade e Agricultura Familiar

De acordo com dados da Afubra, para a safra 2024/2025, a eficiência econômica do setor impressiona quando comparada a outras culturas. A análise de rentabilidade da safra destaca a disparidade econômica entre o tabaco e as principais commodities de grãos. Enquanto o tabaco registra uma receita média de R$ 47 mil por hectare, as culturas de milho e soja apresentam retornos significativamente menores por unidade de área.

Para que um produtor alcance o mesmo faturamento bruto gerado por apenas 1 hectare de tabaco, ele precisaria cultivar uma área muito superior de outras culturas: seriam necessários 6,58 hectares de milho ou 7,53 hectares de soja. “Esses números explicam por que o tabaco permanece como a base da viabilidade econômica para as pequenas propriedades de agricultura familiar na região Sul”, ressalta Drescher.

Protagonismo Econômico e Arrecadação

O setor reafirmou sua relevância estratégica para o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho. Segundo Valmor Thesing, presidente do Sindicato Interestadual do Tabaco (SindiTabaco), a cultura responde por cerca de 50% do PIB dos municípios produtores. “Santa Cruz do Sul consolidou-se como o 2º maior exportador do Rio Grande do Sul e o 3º maior arrecadador de impostos”, destacou.
Essa rentabilidade, observa Thesing, reflete-se no nível socioeconômico das famílias: 80,4% dos produtores pertencem às classes A e B, com uma renda per capita média de R$ 3.540,75 – mais que o dobro da média nacional. “Não por acaso, 87,4% dos agricultores afirmam que continuam na atividade por ser a opção mais lucrativa”.

Em 2025, as exportações do setor no Brasil totalizaram 561.052 toneladas, gerando divisas de US$ 3,389 bilhões, um crescimento de 13,84% em relação ao ano anterior.

Olhando para o futuro, Valmor Thesing aponta que o foco continuará na diversificação das propriedades e na manutenção da qualidade que garante a competitividade global. Entretanto, o setor alerta para o desafio do contrabando, que no Brasil atinge 32%, quase o triplo da média mundial de 11%.

Impacto Social e Ambiental

A resiliência do tabaco foi o ponto central da fala de Gilson Becker, presidente da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) e prefeito de Vera Cruz. Enquanto commodities como soja e milho sofreram perdas severas com oscilações climáticas, o tabaco manteve-se estável, garantindo a renda de famílias em 528 municípios do Sul do Brasil, destacando que a cultura tem sido o diferencial para a sobrevivência das pequenas propriedades.

“O tabaco tem se mostrado uma cultura muito resiliente pela época do plantio e pela estabilização dos valores. É uma das culturas de faturamento mais estável em pequenas propriedades, com rentabilidade por hectare muito superior a outras commodities”, pontuou Becker.

Embora o tabaco ocupe apenas 21,4% da área das propriedades, Becker destaca que ele é responsável por 52% da renda familiar. Além do retorno financeiro de R$ 14,6 bilhões, o setor destaca-se pela sustentabilidade, mantendo 24,4% de áreas preservadas nas propriedades rurais.

Pilar econômico da região

O presidente da ACI, Marco Antônio Borba, reforçou em sua fala de abertura, a importância de conectar a cadeia do tabaco com os demais setores da economia regional. “A relevância do tabaco é medida pelo seu efeito multiplicador. Esse capital, ao ingressar na nossa região, sustenta o varejo, impulsiona o setor imobiliário e demanda uma rede complexa de serviços e logística que fortalece centenas de empresas locais. A força de nossa economia está fortemente ligada aos resultados da cadeia do tabaco”, afirmou.

O Tá na Hora conta com o patrocínio de Sicredi, BRDE, BAT, Philip Morris, Banrisul/Vero, Unimed, Gazeta, Unisc, JTI e Universal Leaf.

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