O conceito de competências regionais e seu impacto na resiliência econômica do Rio Grande do Sul foram o tema central da reunião-almoço Tá na Hora, realizada nesta terça-feira (11). Promovido pela Associação Comercial e Industrial (ACI) Santa Cruz do Sul, o tradicional encontro empresarial teve como palestrante o diretor técnico do Sebrae RS, Ariel Fernando Berti. Para uma plateia formada por empresários e lideranças regionais, reunidos no Hotel Águas Claras, o executivo destacou que a chave para o desenvolvimento regional não está apenas nas vocações tradicionais, mas na capacidade de diversificação e na adoção do conceito de Economias Portadoras de Futuro (EPF).
Mestre em Administração e doutorando em Design Estratégico, Berti construiu uma sólida trajetória acadêmica e profissional, marcada pela atuação em áreas como gestão, estratégia e educação. Exerceu cargos de liderança no Senac-RS ao longo duas décadas, o mais recente, como diretor regional interino, em 2023. Expertise que leva agora para suas funções como diretor técnico do Sebrae. Na palestra “Territórios Empreendedores: o desenvolvimento a partir das competências regionais”, ele apresentou também o guarda-chuva estratégico que guiará a atuação de longo prazo do Sebrae/RS.
Berti iniciou a palestra definindo competência como aquilo que agrega valor ou estabelece uma distinção para um território, empresa ou pessoa. Segundo ele, a competência é identificada pela capacidade de realização, não existindo se não for exercida na prática.

Afirmou que a reflexão principal para um território é identificar seus potenciais (humano, tecnológico e empresarial) que podem ser mobilizados para melhorar a vida das pessoas. “O desenvolvimento acontece para melhorar a vida das pessoas. As pessoas precisam se sentir em um espaço que as abrace e faça com que elas se desenvolvam”, afirmou.
Diversificação e as “Economias de Futuro”
Ao discutir o caso de municípios com forte vocação primária, como a tradição do tabaco em Santa Cruz do Sul, o diretor técnico defendeu a busca por múltiplas competências – como o turismo de eventos e o Vale Cervejeiro – sem que isso signifique perder a identidade original.
Mencionou o conceito introduzido pelo Sebrae de Economias Portadoras de Futuro (EPF). Essas são áreas que, embora ainda não sejam economicamente relevantes, possuem grande potencial de desenvolvimento baseado nas capacidades locais. Como exemplos, citou a “economia criativa” representada por setores como artesanato e audiovisual e o reconhecimento da riqueza econômica e de inovação existente em comunidades periféricas que necessitam de apoio para se desenvolverem.
O novo mundo do trabalho
Ariel Berti enfatizou também a transformação no mundo do trabalho, marcada pela abolição do termo “mão de obra” em favor de competências profissionais. O cenário é de pleno trabalho, onde há oportunidades para quem estiver disposto a trabalhar, e não mais apenas de pleno emprego formal.
Segundo ele, atualmente as competências mais exigidas dos profissionais são visão sistêmica, capacidade de resolução de problemas complexos (citando como exemplo a reconstrução do Vale do Taquari) e habilidades ligadas à Inteligência Artificial (IA).
Novas dinâmicas de trabalho, como o crescimento do MEI, cooperativas, e o fenômeno dos nômades digitais, mostram que negócios e profissionais não se restringem mais ao mercado local, atuando em uma dinâmica globalizada.
“O papel do gestor, nesse contexto, é a capacidade de ler, interpretar e, principalmente, resolver os problemas específicos da sua região, orientando o desenvolvimento e a diversificação econômica”, afirma.
Estratégia do Sebrae-RS
O diretor utilizou o encontro para detalhar a nova estratégia de longo prazo do Sebrae-RS (Territórios Empreendedores) que transforma a organização em um agente de desenvolvimento focado nas vocações regionais.
Potencializar às micro e pequenas empresas (MPEs) que representam hoje 94% dos negócios do RS, impulsionar territórios e ecossistemas e gerar talentos empreendedores são objetivos centrais que vão orientar a atuação do Sebrae. As ações serão focadas em fortalecer os negócios, estimular à inovação e investir na educação empreendedora.
A estratégia reconhece a importância de regiões como Vales do Taquari e Rio Pardo, e destaca Santa Cruz do Sul como um polo regional (11º maior PIB do RS) que precisa equilibrar sua força tradicional (tabaco) com os setores industrial, de serviços e novas EPFs. O Sebrae-RS busca um Rio Grande do Sul mais competitivo e inovador a longo prazo”, resumiu Berti.






