GeralRegional

Maquetes desenvolvidas na Unisc aproximam educação ambiental da realidade dos eventos climáticos

A Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) apresentou a maquete da Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) da Unisc, área mantida em Sinimbu, desenvolvida no âmbito do “Projeto Identificação, avaliação e monitoramento dos riscos de eventos climáticos visando a qualificação dos sistemas públicos de alerta para as regiões do Vale do Rio Pardo e Vale do Taquari”. Outras duas maquetes menores fazem parte da proposta e serão utilizadas especialmente em ações de educação ambiental nas escolas, facilitando a compreensão de crianças e da comunidade sobre os efeitos da chuva, do relevo, da vegetação e das características do solo na ocorrência de desastres.

O coordenador do Projeto, professor Carlos Antônio Tillmann, explica que as três maquetes fazem parte de um conjunto mais amplo de ações, que envolve pesquisadores e professores do Departamentos de Engenharias, Arquitetura e Computação da Universidade. O trabalho inclui ainda o uso de imagens, sensores e outros instrumentos para o monitoramento de sinais relacionados às condições ambientais. Na RPPN, por exemplo, o espaço será equipado com instrumentos de monitoramento, como câmeras, conexão de internet e estação meteorológica, permitindo o acompanhamento de alterações climáticas e ambientais em tempo real.

Uma das metas é justamente transformar essas informações técnicas em conhecimento acessível para a população. As maquetes foram desenvolvidas para serem levadas às escolas e utilizadas principalmente com crianças, que, segundo Tillmann, podem atuar como multiplicadoras das informações. 

Uma das maquetes possui um sistema dinâmico, com uma bomba que movimenta a água por uma representação de rio e permite simular a ocorrência de chuva. A partir da atividade, é possível demonstrar como o aumento do volume de água pode provocar o transbordamento do rio e atingir áreas urbanizadas. “O objetivo é fazer com que elas entendam e enxerguem as diferenças que existem entre ter ou não vegetação, as características do solo e o que a água pode provocar”, salienta o professor.

Além das maquetes interativas que serão levadas para escolas de Santa Cruz do Sul, Sinimbu, Muçum e Cruzeiro do Sul – municípios bastante atingidos pelas enchentes de 2024, o Projeto também está desenvolvendo uma cartilha destinada aos professores, com orientações para auxiliar na abordagem do tema em sala de aula.

Para a vice-reitora da Unisc, Andréia Rosane de Moura Valim, justamente o caráter educativo faz com que a iniciativa alcance um significado ainda maior. Ela destaca que o Projeto ultrapassa os limites da Universidade e pode contribuir para a conscientização da comunidade sobre a preservação ambiental e a prevenção de riscos.

Ainda, acredita que amplia a importância da RPPN para a Universidade e para toda a região. Segundo ela, a integração com o projeto permite qualificar a estrutura existente e ampliar o conhecimento sobre o patrimônio ambiental. “É importante para a Universidade, mas, na medida em que a gente consegue mostrar essa imensidão que é a nossa reserva natural, percebemos o quanto ela significa para a nossa região. A partir dessa integração com o Projeto, conseguimos qualificar o que já temos lá”, destaca.

Tecnologia e formação acadêmica

A produção das maquetes também envolveu estudantes e egressos do Curso de Arquitetura da Unisc. O trabalho foi realizado a partir de um edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).

A maior das maquetes levou cerca de quatro meses para ser concluída, enquanto as outras duas foram desenvolvidas ao longo de aproximadamente oito meses. O trabalho envolveu o uso de impressoras 3D adquiridas pela Universidade e que permanecerão disponíveis para atividades acadêmicas.

Com a entrega das maquetes e a estruturação do sistema de monitoramento na RPPN da Unisc, a expectativa é ampliar as ações de educação ambiental e, ao mesmo tempo, fortalecer a produção de informações que possam contribuir para a compreensão e a prevenção dos impactos de eventos climáticos nos vales do Rio Pardo e Taquari.

Fonte
Bruna Ortiz Lovato

Artigos relacionados