
Em um pronunciamento contundente na tribuna da Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul, na última segunda-feira, o vereador Ilário Keller (PP) criticou veementemente a gestão da saúde pública municipal, apontando um desperdício diário de R$ 1 milhão devido à burocracia excessiva, papelada e regulação estatal ineficiente.
Segundo o vereador, esses entraves impedem que os recursos cheguem efetivamente à população, resultando em um sistema que “transfere responsabilidades sem resolver problemas reais”.
Keller ilustrou a gravidade da situação com o relato de um paciente que aguardava há seis meses por um cateterismo cardíaco, sem previsão de atendimento. Ao tentar custear o procedimento particular para agilizar o tratamento, o paciente foi informado de que seria permanentemente excluído do Sistema Único de Saúde (SUS), perdendo o direito a qualquer tratamento futuro.
O vereador destacou que a mesma lógica se aplica a consultas particulares, que anulam o acesso ao Hospital do SUS. Essa política, segundo Keller, força os cidadãos a escolherem entre a espera indefinida no sistema público ou a exclusão total ao buscar alternativas.
O vereador questionou a eficácia da “gestão plena” da saúde municipal, afirmando que, apesar da classificação, a administração local carece de autonomia real. Ele argumentou que o Ministério da Saúde e o Estado impõem regras rígidas que centralizam as decisões e resultam em um desperdício significativo de verbas.
Ilário Keller classificou o sistema como “podre” e ultrapassado, reiterando que o montante de R$ 1 milhão diário, se gerido localmente e sem as perdas por “ralo” e “beiradas”, seria suficiente para resolver os atendimentos imediatos da população local.
Com três décadas de experiência no legislativo, o vereador descreveu a situação em Santa Cruz como um “repique”, ou seja, uma repetição de promessas não cumpridas e a ausência de avanços concretos, apesar das inúmeras reclamações dos munícipes.
Embora tenha reconhecido o esforço do secretário Rodrigo Rabuske e a existência de contatos locais com algum retorno, Keller enfatizou que o problema fundamental não reside na vontade da administração municipal em atender os cidadãos, mas sim em falhas estruturais do sistema.
A crítica de Ilário Keller se estendeu ao sistema de saúde brasileiro como um todo, que ele qualificou como uma “podridão” devido à burocracia excessiva e a parcerias “nojentas” com o Estado, que, segundo ele, regulam e complicam a aplicação dos recursos. O vereador comparou as emendas parlamentares destinadas à saúde a “chover no molhado” ou “enxugar gelo”, classificando-as como esforços superficiais que não abordam a raiz do problema.
A solução proposta por Keller é uma mudança legislativa em Brasília para simplificar a destinação de verbas, eliminando os entraves regulatórios que impedem a eficiência. O prefeito Sérgio Moraes, conforme mencionado pelo vereador, teria confirmado que Santa Cruz gasta obrigatoriamente cerca de um milhão de reais por dia em saúde para atender a população, evidenciando o pesado ônus financeiro imposto ao município em meio às limitações sistêmicas.






