A escassez de trabalhadores nos setores produtivos de Santa Cruz do Sul mobilizou lideranças empresariais e o poder público em uma reunião estratégica realizada nesta quarta-feira (11), no Palacinho da Prefeitura. O encontro, provocado pela Associação Comercial e Industrial (ACI) do município, reuniu o prefeito Sérgio Moraes, líderes de todas as entidades empresariais do município, representantes do Sebrae, Senai e a vice-reitora da UNISC, Andreia Valim, com o objetivo de traçar um plano de ação imediato para um problema que já ameaça o ritmo de crescimento da região.
A principal medida definida durante a reunião foi a necessidades de realização de um estudo técnico profundo, conduzido pela UNISC, para diagnosticar com precisão em quais áreas a carência é mais crítica e identificar as razões pelas quais as vagas permanecem abertas.
Para dar agilidade às decisões, o grupo estabeleceu uma estrutura de governança dividida em duas frentes: uma estratégica, formada pelos presidentes das entidades, e outra operacional, que será liderada pelo Departamento de RH da ACI em conjunto com a universidade, para converter as discussões em projetos práticos.
Durante os debates, o presidente do Sindigêneros, Celso Müller, chamou a atenção para o potencial do público sênior, destacando a necessidade de romper barreiras culturais que impedem idosos de buscarem novas oportunidades no mercado.
Além da análise técnica, a prefeitura também se comprometeu a buscar referências em modelos bem-sucedidos na região, como o sistema implementado em Venâncio Aires, em parceria com a Prefeitura daquele município, voltado à capacitação de mão de obra.
O objetivo do grupo agora é buscar estratégias para conectar quem precisa trabalhar com as empresas que, independentemente do nível de qualificação exigido, enfrentam hoje o desafio de manter suas operações em pleno funcionamento.
Para o presidente da ACI, Marco Antônio Borba, o resultado deste primeiro encontro superou as expectativas.”A principal conquista é a mobilização que conseguimos em torno do tema, não somente das entidades como do Poder Público”, avaliou.
Riscos da automação: Em fala à imprensa, após a reunião, Borba expressou preocupação com a IA (Inteligência Artificial) e a robotização. Segundo ele, a demora das pessoas em retornar ao mercado pode levar os empresários a substituírem postos de trabalho por máquinas para garantir a produção.”Meu receio é que lá na frente, quando o pessoal se aperceber que precisa trabalhar, o emprego já esteja ocupado por um robô.”
Participaram do encontro representantes do SindiTabaco, Sinduscon, CDL, Sindilojas, Seasc, Sindigêneros, Assemp, Ajesc, Unisc, Senai e Sebrae.





